Ipu (CE): O progresso não pode parar e os prédios históricos desaparecem no tempo
Fui um privilegiado, por ter sido criado morando em frente à Praça de Iracema, no Centro de Ipu, onde morei por 25 anos, e observei todas ...
https://ipu24horas.blogspot.com/2015/04/ipu-ce-o-progresso-nao-pode-parar-e-os.html
Fui um privilegiado, por ter sido criado morando em frente à Praça de Iracema, no Centro de Ipu, onde morei por 25 anos, e observei todas as mudanças no Centro Comercial da cidade. Vi a própria Praça de Iracema ser demolida e reconstruída duas vezes.
A antiga Índia Iracema, Rio Branco (Rio), Av. Paulista (SP), casarões em Ipu
É claro que pela idade, não vi a construção da primeira Praça de Iracema, mas acompanhei todas as suas transformações. Também fui testemunha da demolição de todos os antigos casarões, quase todos, pois ainda restam o do saudoso Raimundo Salu, no centro, e o da Dona Rita, na esquina. O resto que existia ao redor da Praça de Iracema foram todos demolidos.
A minha antiga casa, prédio onde hoje funciona a Ótica Vison e Boticário, salve engano, foi a primeira a ser demolida, isso logo no inicio dos anos 80. Nossa antiga casa foi demolida e no local construímos duas lojas e um apartamento sobre as lojas. Continuamos morando no mesmo local. Quem primeiro se estabeleceu nas lojas foram a Cláudia Calçados e a loja Famol - uma loja de móveis. Surgia o Centro Comercial da Rua Coronel Félix.
Em seguida, foram demolidas as casas da rua de baixo, onde hoje funciona a Padaria Ideal. Depois veio abaixo as casas da direita e em seguida da esquerda. Um casarão famoso era o do tabelião Magela Ximenes. Também foram demolidos o antigo Fórum, vizinho minha casa, onde hoje é Mercantil Santo Antônio, a casa onde funciona o Mercantil Dois Irmãos, e outra casa onde agora é o Mercantil Central. O mais recente foi o casarão dos Tavares que foi demolido neste sábado (18). (Veja Aqui).
É muito triste, senti uma imensa dor ao ver o casarão dos Tavares indo ao chão, e imagino que mais dor sentiram seus familiares, mas, com certeza, a demolição foi bastante debatida entre eles, tanto a questão sentimental quanto a questão patrimonial.
Muitos dos que se desfizeram dos antigos casarões ou casas que ficavam ao redor da Praça de Iracema, só tinham eles como herança e precisavam dos recursos que foram apurados com a venda dos imóveis. É lamentável, mas é bastante compreensível, pois os proprietários têm o direito de usufruir dos bens.
Fico com as minhas recordações de infância que estão sendo destruídas, pois eu brinquei em cima daqueles muros, entrei em quase todas as casas onde meus amigos moravam. Hoje quando entro no Mercantil Teles parece que estou entrando na casa do meu amigo Zé. É estranho, mas eu lembro até da cor e dos desenhos que haviam no piso da sala da casa.
Mas se tratando de um Centro Comercial e mesmo tendo o valor sentimental e ainda reconhecendo o valor histórico e cultural que as edificações possuem, eu só posso aceitar a demolição como parte de um processo previsto no progresso de nossa cidade. Vão os anéis e ficam os dedos.
Não temos como evitar o progresso e a demolição desses antigos casarões no Centro Comercial, mas recentemente, tivemos a nossa Igreja de Nossa Senhora do Desterro (Igrejinha do Quadro), seu cruzeiro e entorno sendo tombados pelo Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural – COEPA (Veja Aqui), e isso nos trouxe bastante felicidade, pois é no berço de Ipu, local onde nasceu a nossa cidade e onde ainda existem alguns casarões que deveriam ser restaurados e preservados ou até mesmo tombados, antes que também chegue para eles, o progresso imobiliário e comercial.
Os prédios históricos não registem ao progresso e ao tempo
São Paulo - Nos anos 1930, ao longo da Avenida Paulista, espalhavam-se palacetes construídos por imigrantes europeus. Prósperos, reproduziam a linguagem arquitetônica de seus países de origem. Hoje esses belos palacetes já não existem mais.
A minha antiga casa, prédio onde hoje funciona a Ótica Vison e Boticário, salve engano, foi a primeira a ser demolida, isso logo no inicio dos anos 80. Nossa antiga casa foi demolida e no local construímos duas lojas e um apartamento sobre as lojas. Continuamos morando no mesmo local. Quem primeiro se estabeleceu nas lojas foram a Cláudia Calçados e a loja Famol - uma loja de móveis. Surgia o Centro Comercial da Rua Coronel Félix.
Em seguida, foram demolidas as casas da rua de baixo, onde hoje funciona a Padaria Ideal. Depois veio abaixo as casas da direita e em seguida da esquerda. Um casarão famoso era o do tabelião Magela Ximenes. Também foram demolidos o antigo Fórum, vizinho minha casa, onde hoje é Mercantil Santo Antônio, a casa onde funciona o Mercantil Dois Irmãos, e outra casa onde agora é o Mercantil Central. O mais recente foi o casarão dos Tavares que foi demolido neste sábado (18). (Veja Aqui).
É muito triste, senti uma imensa dor ao ver o casarão dos Tavares indo ao chão, e imagino que mais dor sentiram seus familiares, mas, com certeza, a demolição foi bastante debatida entre eles, tanto a questão sentimental quanto a questão patrimonial.
Muitos dos que se desfizeram dos antigos casarões ou casas que ficavam ao redor da Praça de Iracema, só tinham eles como herança e precisavam dos recursos que foram apurados com a venda dos imóveis. É lamentável, mas é bastante compreensível, pois os proprietários têm o direito de usufruir dos bens.
Fico com as minhas recordações de infância que estão sendo destruídas, pois eu brinquei em cima daqueles muros, entrei em quase todas as casas onde meus amigos moravam. Hoje quando entro no Mercantil Teles parece que estou entrando na casa do meu amigo Zé. É estranho, mas eu lembro até da cor e dos desenhos que haviam no piso da sala da casa.
Mas se tratando de um Centro Comercial e mesmo tendo o valor sentimental e ainda reconhecendo o valor histórico e cultural que as edificações possuem, eu só posso aceitar a demolição como parte de um processo previsto no progresso de nossa cidade. Vão os anéis e ficam os dedos.
Não temos como evitar o progresso e a demolição desses antigos casarões no Centro Comercial, mas recentemente, tivemos a nossa Igreja de Nossa Senhora do Desterro (Igrejinha do Quadro), seu cruzeiro e entorno sendo tombados pelo Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural – COEPA (Veja Aqui), e isso nos trouxe bastante felicidade, pois é no berço de Ipu, local onde nasceu a nossa cidade e onde ainda existem alguns casarões que deveriam ser restaurados e preservados ou até mesmo tombados, antes que também chegue para eles, o progresso imobiliário e comercial.
Os prédios históricos não registem ao progresso e ao tempo
São Paulo - Nos anos 1930, ao longo da Avenida Paulista, espalhavam-se palacetes construídos por imigrantes europeus. Prósperos, reproduziam a linguagem arquitetônica de seus países de origem. Hoje esses belos palacetes já não existem mais.
A Avenida Paulista em São Paulo. De dezenas de casarões, sobraram quatro
Rio de Janeiro - Nessa mesma época, a Avenida Central da cidade, atual Rio Branco, era uma versão tropical da parisiense Champs-Élysées, tomada por prédios ecléticos de influência francesa. Havia exemplares belíssimos, como o Hotel Avenida, com seus 220 quartos de luxo, e o imponente Palácio Monroe, primeiro projeto brasileiro a ganhar um prêmio internacional de arquitetura. A grande maioria já foram demolidos.
Salvador - Bairros como o Corredor da Vitória eram tomados por charmosos edifícios neoclássicos. Tudo isso foi abaixo, e não apenas por culpa da especulação imobiliária. Só foram tombados o centro histórico colonial e alguns exemplares de igrejas e conventos da mesma época.
Pernambuco - O bairro do Recife Antigo, na capital, também tinha uma feição eclética desde que foi reformulado, no início do século passado. Por isso, só obteve o tombamento nos anos 1990. Nesse meio-tempo, prédios antigos foram demolidos ou desconfigurados.
Minas Gerais - Belo Horizonte, fundada no final do século XIX e predominantemente eclética, tampouco contou com proteção. Perdeu o Teatro Municipal e muito do casario antigo.
Rio Grande do Sul - O centro histórico de Porto Alegre horrorizava Lúcio Costa, o urbanista que projetou Brasília, pela predominância da cor ocre, característica da arquitetura eclética alemã e italiana. O conjunto resistiu por sorte e só foi tombado em 2003. Antes disso, foram abaixo prédios históricos, como a antiga sede da Caixa Econômica Federal.
Avenida Rio Branco, no centro do Rio de Janeiro. De 70 prédios, sobraram dez
Salvador - Bairros como o Corredor da Vitória eram tomados por charmosos edifícios neoclássicos. Tudo isso foi abaixo, e não apenas por culpa da especulação imobiliária. Só foram tombados o centro histórico colonial e alguns exemplares de igrejas e conventos da mesma época.
Pernambuco - O bairro do Recife Antigo, na capital, também tinha uma feição eclética desde que foi reformulado, no início do século passado. Por isso, só obteve o tombamento nos anos 1990. Nesse meio-tempo, prédios antigos foram demolidos ou desconfigurados.
Minas Gerais - Belo Horizonte, fundada no final do século XIX e predominantemente eclética, tampouco contou com proteção. Perdeu o Teatro Municipal e muito do casario antigo.
Rio Grande do Sul - O centro histórico de Porto Alegre horrorizava Lúcio Costa, o urbanista que projetou Brasília, pela predominância da cor ocre, característica da arquitetura eclética alemã e italiana. O conjunto resistiu por sorte e só foi tombado em 2003. Antes disso, foram abaixo prédios históricos, como a antiga sede da Caixa Econômica Federal.
Fonte: Netcina
Informação: Telenotícias Mundial


